Archive for the ‘CONTRATO DE LEITURA 2008 / 09 12º AS1’ Category

Decadências

Abril 27, 2009

Christiane F. Os Filhos da Droga. Lisboa, Livros do Brasil,2002

Esta obra fala-nos da decadência do ser humano, da falta de orientação dos jovens, da problemática passagem da infância à adolescência, mas também das dificuldades de contacto entre gerações, da falta desse diálogo essencial. Fala da facilidade de acesso à droga, de miséria, de famílias desestruturadas e também… de amor.
É um livro muito descritivo e, na minha opinião, até chocante, porque revela uma realidade que, por vezes, muitos de nós não estão preparados para conhecer. Considero esta obra uma imagem da sociedade actual, um mundo onde os vícios são uma fuga fácil à solidão e à tristeza.
O livro Os Filhos da Droga baseia-se na biografia de uma adolescente alemã chamada Christiane F.

Durante o  julgamento de Christiane num tribunal de infância e juventude, dois jornalistas ficaram fascinados com o seu depoimento sobre o vício e propuseram-lhe uma entrevista que acabou por se estender por meses e serviu de base ao livro Wir Kinder vom Bahnhof Zoo( título na língua original em que foi lançado, o alemão).
Christiane F. é uma menina de seis anos que vive com os pais numa pequena aldeia de ambiente humilde, na Alemanha. Com 13 anos de idade, ela e a sua família mudaram-se para a cidade de Berlim, por circunstâncias diversas. A família começou a desmoronar-se pouco a pouco. O pai, após o insucesso em estabelecer um empreendimento na cidade, começou a bater na mãe, nela e na  irmã. Os pais acabaram por se divorciar, ficando a mãe com a guarda de Christiane, enquanto a  irmã preferiu viver com o pai. Christiane vai-se  tornando uma adolescente triste e frustrada, envolvendo-se com as pessoas erradas. De boa fé, confia nelas e a curiosidade arrasta-a para o mundo da droga. Primeiro consome drogas leves, mas depois chega às pesadas. Aos 13 anos, quando vivia com o namorado de 17, é forçada a prostituir-se e a roubar para sobreviver. Ter dinheiro para mais uma dose torna-se o seu objectivo de vida. A mãe acaba por descobrir a situação e obriga-a a desintoxicar-se, mas todas foram tentativas falhadas. No percurso perturbado da sua vida, Christiane acaba por perder pessoas com quem criara afinidade. É um mundo onde não se sabe realmente quem é amigo e onde também é difícil criar laços, pois muitos acabam por se tornar um objecto do seu próprio vício.

O livro foi um êxito mundial,sendo lançado em vários países. Com o sucesso do livro, Christiane ficou mundialmente famosa e até passou um tempo “limpa”. Mas, em 1983, a polícia prendeu-a no apartamento de um traficante, em Berlim. Nesta época concedeu uma entrevista à revista alemã Stern, confessando que nunca havia realmente largado a heroína.

Foi realizado um filme a partir do livro. As meras imagens da sua apresentação podem sugerir-nos a violência do que está em jogo:

 

 

Decadências…

 

                                                                                                     Joana Ferreira, 12º As1

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                               

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Uma crónica ao meu outro amor…

Março 17, 2009

CARLOS “PAC” NOBRE. Um Outro Amor- diário de uma vida singular. Lisboa, Oficina do Livro, 2008

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Como uma fã que se preza da banda Da Weasel, alguém que idolatra todos os seus membros, as suas músicas e, em especial, a poesia do vocalista (Pacman), não podia deixar de ler o livro que reúne as melhores crónicas escritas pelo próprio para a revista semanal “Domingo” do jornal Correio da Manhã, intitulado Um Outro Amor, diário de uma vida singular. Veja-se aqui uma interessante crítica a este livro. 

Carlos Alberto Nobre Pereira Neves nasceu a 20 de Julho de 1975 em Angola, mas emigrou muito cedo com os pais, com destino à cidade de Almada.

 Em 1994, juntamente com o irmão mais velho, João Nobre, cria uma banda a que mais tarde chamam Da Weasel, nome não escolhido ao acaso, pois a doninha é um animal que incomoda e ninguém quer por perto. Carlos adopta a alcunha de “Pacman” devido ao facto de ser viciado nesse famoso jogo e João apelida-se de “Jay” como diminutivo. Na banda entram e saem membros, sendo actualmente composta por aqueles que são considerados os seis magníficos: Carlos Nobre (Pacman)- voz; Bruno Silva (Virgul)- voz; Pedro Quaresma (Quaresma)- guitarra; João Nobre (Jay)- baixo; Guilherme Silva (Guillaz)- bateria; Miguel Santos (Glue)- Dj.

 No entanto, Carlos destaca-se por estar incluído em vários projectos, tais como participações em álbuns de outros artistas, músicas a solo (como podemos ouvir na sua página pessoal do “MySpace”), escrevendo também poemas e textos soltos. Muitos destes últimos foram transformados em crónicas- daí a edição deste livro.

Porquê “Um Outro Amor”? Simplesmente porque Carlão, como é conhecido pelos amigos, é, para lá do que vemos nos concertos, na televisão e nas revistas, um Ser Humano. E, como qualquer um de nós, tem os seus próprios gostos. Gosta de escrever, gosta de música, gosta de televisão, gosta de cinema, gosta de futebol, gosta do S.L.B. E aqui acrescento a célebre frase: “Gostos não se discutem!”…

Aproveitando a conversa dos gostos, relembro que só comprei e li o livro por gostar do autor. Mas isso não me impede de deixar aqui uma sugestão de leitura, pois facilmente muitos de nós (e de vocês)  se revêem nos textos: desde a afirmação, que dá que pensar, “Às vezes custa estar sozinho. Mas custa mais ainda estar sozinho quando se anda acompanhado.”, na crónica “Cabeças Trocadas”, à história da rapariga que lhe deu uma lição de vida, com o nome de “(A Educação de) Rita”, passando pelo relato de momentos de alegria e de outros para esquecer…

                                                                                                            Sofia Almeida, 12º As1

                                                                                                                                                                                                                                                                                      Sofia

Ler para pensar, ler e reflectir…

Março 5, 2009

TOREY HAYDEN.  A Criança Que Não Queria Falar.  Lisboa, Ed. Presença, 2007

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TOREY HAYDEN. A Menina Que Nunca Chorava. Lisboa, Ed. Presença, 2007

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Deixo aqui dois livros de particular interesse para quem quer seguir uma profissão que envolva o contacto com crianças e adolescentes. São duas histórias que nos mostram como devemos lidar com problemas que podem um dia acontecer-nos.

 A Criança Que Não Queria Falar é baseado numa história verídica. Trata-se, no fundo, do diário de uma terapeuta, Torey, que conta de forma intensa o que se passa entre ela e Sheila, uma menina de seis anos que é colocada na sua aula, até arranjarem uma vaga num hospital psiquiátrico. Apesar dos momentos de fúria e de não querer falar, Sheila revela ser uma menina amorosa e sobredotada – como tal, exige de Torey uma atenção especial. É um livro chocante e que nos faz pensar que mal pode ter feito uma criança para ser tão maltratada por todos. Torey tem a difícil tarefa de mostrar a Sheila que o mundo não é só feito de pessoas más, que há também magia e que ela pode ser feliz; tem ainda de tornar evidente para todos que o lugar desta menina é na escola.

Este vídeo é mais uma das muitas campanhas contra a violência exercida sobre as crianças, no caso em contexto brasileiro. (Daí, naturalmente, o sotaque e a ortografia do português sul-americano).  Mas será que uma simples campanha modifica o comportamento daqueles que não têm sentimentos?

 A Menina Que Nunca Chorava é a continuação da obra A criança que não queria falar. O ano escolar acabou, Torey e Sheila perderam o contacto. Sheila mudou de local de habitação e Torey arranjou um novo emprego, também fora da cidade. Sheila estava agora na adolescência e mostra-se bastante diferente.  A terapeuta, à espera de reencontrar a antiga Sheila, não desiste de a fazer voltar a ser um pouco como era. Então, leva-a a repetir as experiências que viveram em conjunto no passado e a visitar os locais onde já estiveram juntas, relembrando uma infância que havia deixado grandes marcas na sua personalidade e modo de pensar. Torey acaba por envolver demasiado Sheila na sua vida e sofre as consequências dessa aproximação. É um livro que nos mostra como é importante quando alguém acredita em nós e nas nossas capacidades, quando alguém nos dá uma oportunidade para mostrarmos o nosso valor. A amizade entre estas duas personagens, com vidas e idades tão distintas, é muito bonita. Apesar de ser agora diferente o sentimento que existe entre elas, continuam a ter uma ligação muito forte.

Catarina Rangel,12ºAS1